quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL:SONHO OU REALIDADE?

A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL: SONHO OU REALIDADE?

RESUMO:
Nesta exposição, procuro apontar alguns desafios e polaridades que
permeiam o discurso e a ação de todos aqueles que estão envolvidos com a
problemática da educação inclusiva no Brasil. Não tenho a pretensão de
validar teoricamente as constatações e inferências construídas a partir
da vivência de pessoa cega e do engajamento político em diversos setores
do poder público e da sociedade.
Os fenômenos e situações focalizados são indicadores da polaridade
entre educação inclusiva e educação especial. Nesta perspectiva,
procuro destacar os principais problemas, dificuldades e impasses presentes
no quotidiano do trabalho com pais, educadores, especialistas, gestores de
políticas públicas e outros atores sociais. Ao traçar este panorama,
apresento um breve relato de experiência com o objetivo de estimular a
reflexão acerca dos meandros e sutilezas do universo humano diante do
complexo movimento de sujeição ou de transformação da realidade.
* * * *
O discurso acerca da inclusão de pessoas com deficiência na escola, no
trabalho e nos espaços sociais em geral, tem-se propagado rapidamente
entre educadores, familiares, líderes e dirigentes políticos, nas
entidades, nos meios de comunicação etc. Isto não quer dizer que a
inserção de todos nos diversos setores da sociedade seja prática
corrente ou uma realidade já dada. As políticas públicas de atenção a
este segmento, geralmente, estão circunscritas ao tripé educação,
saúde e assistência social, sendo que os demais aspectos costumam ser
negligenciados.
A educação destas pessoas tem sido objeto de inquietações e constitui
um sistema paralelo de instituições e serviços especializados no qual a
inclusão escolar desponta como um ideal utópico e inviável. A saúde
limita-se à medicalização e patologização da deficiência ou à
reabilitação compreendida basicamente como concessão de órteses e
próteses. A assistência social traduz-se na distribuição de benefícios
e de parcos recursos, em um contexto de miséria e de privações, no qual
impera a concorrência do assistencialismo e da filantropia. Em cada um
destes setores, o foco do atendimento privilegia uma certa dimensão do
contexto de vida familiar, comunitário e social.
Para a educação, o sujeito com deficiência é um "aluno especial", cujas
necessidades específicas demandam recursos, equipamentos e níveis de
especialização definidos de acordo com a condição física, sensorial ou
mental. No âmbito da saúde, o mesmo aluno é tratado como "paciente",
sujeito a intervenções tardias e de cunho curativo, enquanto no campo da
assistência social ele é um "beneficiário" desprovido de recursos
essenciais à sua sobrevivência e sujeito a formas de concessão de
benefícios temporários ou permanentes de caráter restritivo. O que se
observa, nestes setores, são ações isoladas e simbólicas ao lado de um
conjunto de leis, projetos e iniciativas insipientes e desarticuladas entre
as diversas instâncias do poder público. Em todos os casos, percebemos
uma concepção de sujeito fragmentado, incompleto sem a necessária
incorporação das múltiplas dimensões da vida humana.
Existe uma teia de contradições e um fosso entre o discurso e a ação,
pois o mundo continua representado pelo "nós, os ditos normais" e "eles",
as pessoas com deficiência. Tais observações podem parecer pouco
otimistas e talvez o sejam por representarem a perspectiva de quem tem a
experiência da exclusão atravessada nas cenas do quotidiano e nos
descaminhos da própria existência.
Dificilmente, conseguimos abordar esta realidade sem exaltações ou
animosidades, pois o tema tem suscitado debates calorosos que trazem em seu
teor concepções divergentes e acentuam o antagonismo entre educação
especial e inclusiva. Via de regra, deparamos com argumentos que se
justificam pela análise do óbvio, isto é, pela explicitação das
dificuldades e limitações vivenciadas no contexto do sistema escolar e no
ambiente da sala de aula.
Os professores do ensino regular ressaltam, entre outros fatores, a dura
realidade das condições de trabalho e os limites da formação
profissional, o número elevado de alunos por turma, a rede física
inadequada, o despreparo para ensinar "alunos especiais" ou diferentes. Os
professores da educação especial também não se sentem preparados para
trabalhar com a diversidade do alunado, com a complexidade e amplitude dos
processos de ensino e aprendizagem. A formação destes profissionais
caracteriza-se pela qualificação ou habilitação específicas, obtidas
por meio de cursos de pedagogia ou de outras alternativas de formação
agenciadas por instituições especializadas. Nestes cursos, estágios ou
capacitação profissional, esses especialistas aprenderam a lidar com
métodos, técnicas, diagnósticos e outras questões centradas na
especificidade de uma determinada deficiência, o que delimita suas
possibilidades de atuação.
Além disso, constatamos o receio, a insegurança e a resistência dos pais
que preferem manter os filhos em instituições especializadas temerosos de
que sejam discriminados e estigmatizados no ensino regular. Muitos deles
desistiram por terem ouvido tantas vezes que não havia vaga para o seu
filho naquela escola ou que o melhor para ele é uma escola especial.
Outros insistem por convicção ou simplesmente por se tratar da única
opção no local de moradia da família, pois existem os que estão fora da
escola pelas razões aqui apontadas.
Os representantes de instituições e serviços especializados reagem ao
risco iminente de esvaziamento ou desmantelamento destas estruturas.
Trata-se de um campo de tensões no qual se manifestam o espírito de corpo
e a con(fusão) entre as estruturas e os sujeitos nelas inseridos, o que
dificulta a reflexão e o aprofundamento do debate.
Esta realidade caótica evidencia um confronto de tendências opostas entre
os adeptos da educação inclusiva e os defensores da educação especial.
Por outro lado, constatamos uma inegável mudança de postura, de
concepções e atitudes por parte de educadores, pesquisadores, de agentes
sociais, formadores de opinião e do público em geral. Estas mudanças se
traduzem na incorporação das diferenças como atributos naturais da
humanidade, no reconhecimento e na afirmação de direitos, na abertura
para inovações no campo teórico-prático e na assimilação de valores,
princípios e metas a serem alcançadas. Trata-se, portanto, de propor
ações e medidas que visem assegurar os direitos conquistados, a melhoria
da qualidade da educação, o investimento em uma ampla formação dos
educadores, a remoção de barreiras físicas e atitudinais, a previsão e
provisão de recursos materiais e humanos entre outras possibilidades.
Nesta perspectiva se potencializa um movimento de transformação da
realidade para se conseguir reverter o percurso de exclusão de crianças,
jovens e adultos com ou sem deficiência no sistema educacional.

Fonte: Elizabet Dias de Sá – Pós –graduada em Psicologia
Educacional,trabalha na Secretaria Municipal de Diretos da Cidadania e
exerce a presidência do Conselho Municipal da Pessoa Portadora de
Deficiência de Belo Horizonte-MG
Gestor da Informação: Rosilene Aparecida de Brito – Coordenação da
Ação educativa pastoral
Palavra chave: educação-inclusão-realidade
Data: 18/02/2009

LANÇAMENTO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE EM BH - 26 FEV - 16H - ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA

A Campanha da Fraternidade de 2009 apresenta-nos como o tema Fraternidade e Segurança Pública e como lema: A paz é fruto da justiça (Is 32,17).

A CNBB pretende com esta Campanha, debater a segurança pública, com a finalidade de colaborar na criação de condições para que o Evangelho seja mais bem vivido em nossa sociedade por meio da promoção de uma cultura da paz, fundamentada na justiça social.

LANÇAMENTO EM BELO HORIZONTE -

A Arquidiocese de Belo Horizonte, por intermédio do Vicariato Episcopal para Ação Social e Política, lança a Campanha da Fraternidade em Belo Horizonte na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, no dia 26 de fevereiro de 2009, às 16 horas, no Plenário Juscelino Kubitschek.

Todos estão convidados a participar deste grande momento! Veja o BLOG produzido especialmente para a Campanha da Fraternidade em Belo Horizonte.

Outras informações através do vicariato para Ação Social e Política da Arquidiocese de BH com Walkíria - 3428-8046 ou na Assessoria de Comunicação da Arquidiocese - 3269-3138.

Fonte: www.arquidiocese-bh.org.br

Gestor da Informação: Julio César dos Santos – Articulador Social

Palavras-chaves: Campanha, Fraternidade, Belo Horizonte

Data: 18/02/2009



QUINTA CULTURAL

QUINTA CULTURAL

O Centro Juvenil Salesiano realiza todas as quintas feiras atividades
educativas,artísticas e pastorais.
Os educandos participam de atividades na quadra,jogos no salão,aula
criativa e palestras.

Fonte: Proposta sócio educativa do Centro Juvenil Salesiano
Inserção de informação: Rosilene de Brito - CAEPS
Palavras chave: atividades,quinta cultural,educandos
Data: 18/02/2009

MÚSICA DE REFLEXÃO DO BOA TARDE DE HOJE!

Música: Brincar de viver
Compositor: Gulherme Arantes
 
Quem me chamou
Quem vai querer voltar pro ninho
Redescobrir, seu lugar
 
Pra retornar
E enfrentar o dia-a-dia
Reaprender, a sonhar
 
Você verá que é mesmo assim
Que a historia não tem fim
Continua sempre que você
Responde sim
 
A sua imaginação
A arte de sorrir
Cada vez que o mundo diz não
 
Você verá
Que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
 
Não esquecer
Ninguém é o centro do universo
Assim é maior o prazer
 
Você verá que é mesmo assim
Que a história não tem fim
Continua sempre que você
Responde sim
 
A sua imaginação
A arte de sorrir
Cada vez que o mundo diz não
 
E eu desejo amar
A todos que eu cruzar
Pelo meu caminho
 
Como sou feliz
Eu quero ver feliz
Quem andar comigo
 
Vem...
Agora é brincar de viver
Agora é brincar de viver
 
Fonte: CD Minha História de Maria Bethânia
Getor da informação: Angelo Coimbra - Secretário
Palavras chave: Guilherme Arantes - Música - Brincar de viver
 


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SORRIR

A ARTE DE SORRIR CADA VEZ QUE O MUNDO DIZ NÃO
 
FONTE: BRINCAR DE VIVER
INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO: EDUCADORA  ANGELA
PALAVRAS CHAVE:SORRIR


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TEATRO DE GRUPO: IDENTIDADE E CONFORMAÇÃO

Dentro do contexto pós-moderno no qual a sociedade contemporânea está
inserida, percebemos que este sustenta a versão simplista de dizeres
coloquiais como: tudo é arte, tudo é relativo, e assim se apresenta
na tentativa de justificar a ausência de uma nova criação
artística, algo original, que ainda não seja conhecido. Nossa
sociedade está calcada na novidade e sua rápida reciclagem, "é muito
mais importante comprar, ter, do que usar". O capitalismo se apropria de
tudo numa velocidade estonteante, inclusive da arte, e faz com que tudo
se transforme em mercadoria antes mesmo antes de estar pronto. Nesse
contexto é importante abrir reflexões sobre o papel do artista, uma
vez que este poderia ocupar o lugar de um sujeito que exercita e
desenvolve ao máximo seu senso crítico e talvez um dos exercícios
seja justamente "estar na busca do novo", buscá-lo faz parte da não
instalação na hegemonia. Fazer a crítica é também uma forma e, que
por sua vez, torna-se uma possibilidade de resistir ao capitalismo.
Esses são exercícios difíceis, pertencentes a uma árdua tarefa que
cabe aos artistas e intelectuais, ou ainda melhor a todo cidadão
responsável. Afinal não se pode pensar que o estado caótico no qual
a sociedade está imersa, construiu-se e organizou-se do acaso.
As transformações históricas, a perda ao longo prazo dos paradigmas
norteadores da vida social, os avanços tecnológicos, o avanço
científico por ora importante para todos, mas que por ora é
aterrorizador, as crenças distintas de religião que vão movendo a
fé do cidadão, tornando a instituição igreja um mercado
competitivo, as constantes novas teorias dentro dos estudos da
antropologia que tenta dar conta do homem, fazem dos séculos XX e XXI,
períodos que se dão dentro um marco de movimento caótico, possível
de substituir pelo termo trânsito de difícil compreensão, uma vez
perdida as noções de valores, de princípios, de ética e até mesmo
de estética que a pouco guiava-nos. Mas, como dar conta em manter-se
em exercício mediante o total declínio dos paradigmas e das
identidades, que como grandes pilares sustentaram e mantiveram a
sociedade? Como pensar em revolução, se hoje nos caracterizamos como
indivíduos fragmentados, rompidos com os elos da história? Qual a
identidade do artista ?
O sociólogo Stuart Hall afirma que:
A identidade preenche o espaço entre o "interior" e o "exterior"- entre
o mundo pessoal e o mundo público de que projetamos a "nós próprios"
nessas identidades culturais, ao mesmo tempo que internalizamos seus
significados e valores, tornado-os "parte de nós", contribui para
alinhar nossos sentimentos subjetivos com os lugares objetivos que
ocupamos no mundo social e cultural. A identidade então costura (ou,
para uma metáfora médica, "sutura") o sujeito à estrutura.
Estabiliza tanto os sujeitos quanto os mundos culturais que eles
habitam, tornando ambos reciprocamente mais unificados e predizíveis
(HALL 1992, p 11 - 12).
Nesse breve pensar sobre o indivíduo, não posso fugir em pensar um
pouco sobre o ator de nosso tempo, que afinal, o fato de ser ator não
o faz um extraterrestre, passível de não ser afetado pelo processo
histórico.Quem é esse indivíduo que faz parte desse cotidiano
pós-moderno? Como se agrupa com outras pessoas para o fazer teatral e
como se coloca frente a um sistema capitalista que absorve a produção
teatral ferozmente? Quais referenciais tem sustentado, o ator em seu
trabalho hoje? Dentro destes questionamentos, que não tenho aqui a
pretensão de dar respostas, uma questão que há tempos me interessa
observar, particularmente, são as diferentes maneiras que nós
teatristas encontramos de fazer teatro. Não me refiro a diferenças de
estética, poética e ou de linguagem que um espetáculo possa ter do
outro, e sim as diferentes maneiras que as pessoas que fazem teatro
encontram para agrupar-se e gerar suas condições de trabalho e de
vida.
Há muitos exemplos de agrupar-se para fazer teatro, mas vou limitar-me
a refletir agora sobre o conceito de companhia ou grupo estável; que
está no marco de um conceito que pressupõem um trabalho em longo
prazo, voltado para formação atorial, fora do eixo e dos princípios
do teatro comercial, e que pressupõem um trabalho de investigação do
fazer teatral.
Nesta maneira de agrupar-se, pode-se encontrar diferenças entre os
grupos ou companhias e são essas diferenças que definem o perfil
particular de cada grupo. O fato de algumas pessoas se unirem para
gerar teatro desta maneira e, que essa grupalidade se mantenha além da
montagem do espetáculo, motiva e impulsiona os integrantes a pensar em
outras questões relacionadas à produção e ao fato de sobreviver
como grupo que tenta desenvolver um trabalho que não é somente a
criação do espetáculo, é também o trabalhar para a formação do
homem, buscando reconhecer suas debilidades como um meio de avançar em
sua existência e na sua produção artística.
Assim, cria-se um espaço onde não haverá só a preocupação de
incorporar uma série de elementos técnicos relacionados ao oficio do
ator e nem só para criar espetáculos. Cria-se um espaço onde a
formação do ator em variados níveis e pressupõem um lugar de ampla
liberdade formativa. Isto entre outros elementos é o que diferencia a
idéia de estabelecer-se dentro do conceito de "teatro de grupo", falo
de um conceito, porque podemos ver que sempre para a realização
teatral necessita-se de um grupo de pessoas.
Teatro de grupo pressupõem estabilidade de elenco, conformação de um
esquema de treinamento atorial, criação de material espetacular e
principalmente, busca fazer um teatro que confronta suas dificuldades e
hegemonias. Assim, este teatro se dá na margem periférica, não por
imposição e sim por opção, criando um espaço outro de reflexão,
mas sem perder de vista seu espaço criativo e a construção do
material espetacular, o desenvolvimento de ética e estética.
A idéia e até mesmo o conceito de teatro de grupo com objetivo de
elenco estável não é um conceito novo originado no século XX,
porém aqui trataremos de ver como esse conceito foi apropriado por
alguns teatristas importantes do século XX, que norteiam através de
seus experimentos e registros o trabalho de muitos atores e grupos na
atualidade.
Stanislavski, diretor e ator russo que durante 40 anos esteve a frente
do Teatro de Arte de Moscou, entendeu que, para realizar a idéia de
teatro de grupo era necessário um programa centralizado e sistemático
(o que já podemos chamar de treinamento) que sendo desenvolvido,
permitiria ter conclusões sobre as dúvidas colocadas a prova chegando
cada vez mais a uma síntese ajustada da atuação. A idéia junto a
Dantchenko, era criar novas leis para o teatro russo, um teatro que
estava marcado pelo contexto da Revolução Russa.
Nos anos 60, a cultura de teatro de grupo vai ter fortes raízes no
teatro do diretor polonês Jerzy Grotowski.Estamos aqui falando
novamente de um outro contexto entre os anos 60 e 70 do séc. XX, onde
as rupturas sociais, culturais, educacionais são fortes e encaminharam
todo um processo de perdas de referenciais, e onde também muitos
países viviam a ditadura militar.
Grotowski, definiu seu trabalho pela cultura de grupo e para este
definiu uma estrutura de treinamento para o ator, assim gerando um
outro espaço para ator que não é só o dos ensaios, ele dizia que
"havia o ensaio para o espetáculo e o ensaio que não era para o
espetáculo". Era necessário um espaço de formação no grupo Este
pensar sobre um espaço de treinamento para dar conta da formação do
ator que já havia sido pontuado por Stanislavski na Rússia, e também
pensado e estruturado por Jaques Copeau na França em sua escola, entre
outros.
O teatrista Grotowski, fez uso de vários sistemas como a dança, a
yoga, acrobacia e outros para formular o trabalho junto aos atores, os
exercícios consistiam em ser um trabalho personalizado, desenvolvido
dentro de um marco grupal, viria a ser como um espelho, onde o ator
pudesse ver suas limitações e reconhece-las. O encontro com as
próprias limitações é um ponto difícil e complexo, porque para
Grotowski sua base não esta relacionada ao ator e sua técnica e sim a
pessoa, ao homem e a mulher. Assim as limitações pessoais que aparecem
vão mais além de resoluções técnicas, pois trabalhar sobre elas tem
haver com fundamentalmente a possibilidade de aceitá-las e de
aceitar-se. O que se pode concluir da obra do autor é que a técnica
então não tem nenhum valor em si mesma, se não for uma ferramenta à
disposição para abrir novos lugares, ainda desconhecidos, em cada um
dos atores, se não for assim não cumpre sua função.
Desta maneira, o grupo se transforma, necessariamente, em um lugar onde
as relações entre os integrantes não são especulativas (o que é
dominante na vida cotidiana), pelo contrário, necessitam de rigor,
honestidade e o constante olhar de um sobre o outro, que desfaz o
auto-engano e auxilia as pessoas em não se ocultarem.
Disse o diretor inglês Peter Brook a respeito de Grotowski por ocasião
de tê-lo levado a Londres para trabalhar com os atores de sua
companhia:
Grotowski é único. Por que ? Porque ninguém mais no mundo, que eu
saiba, ninguém desde Stanislavski, investigou a essência da
interpretação, suas características, seu significado, a natureza e a
ciência de seus processos mentais-físicos-emocionais de modo tão
profundo e completo como Grotowski. Ele diz que seu teatro é um
laboratório. De fato: é um centro de pesquisa. Talvez o único teatro
de vanguarda cuja pobreza não é desvantagem, cuja falta de fundos não
é a desculpa para soluções inadequadas que automaticamente
arruinariam as experiências. No teatro de Grotowski, como em todos os
laboratórios de verdade, as experiências são observadas. Em seu
teatro a concentração de uma pequena equipe é absoluta, em tempo
integral (BROOK, 1995, p.61).
O espaço grupal, é um lugar para se retirar máscaras, nesse contexto,
um trabalho de grupo desenvolve outro tipo de relação entre os
integrantes e com o contexto social onde está inserido, poderíamos
dizer então, que como desejou Grotowski "o grupo passa a ser uma terra
fértil". Referenciando-se no trabalho de Stanislavski e tendo uma
experiência pessoal com Grotowski temos ainda na mesma década o
surgimento do trabalho do Italiano Eugênio Barba, que a partir deste
contato funda e organiza o Odin Teatret, grupo instalado e subsidiado
pelo governo da Dinamarca (importante citar que em grande maioria os
centros que desenvolvem pesquisas teatrais no exterior hoje são
mantidos pelo governo, e esse é um marco de grande diferença do nosso
contexto no Brasil). Mais tarde um pouco Barba juntamente com o Odin,
funda a ISTA (International School of Treatre Anthropology). Barba
difunde em vários lugares do mundo, sua cultura de grupo e assim, os
primeiros anos do Odin estão muito mais ligados a uma preocupação
com experiências interculturais, do que com o feito teatral em si.
Barba desenvolve com seu grupo a Antropologia Teatral que para ele é:
[?] a antropologia teatral não busca princípios universais, mas
indicações úteis. Ela não tem a humildade de uma ciência, mas uma
ambição em relevar conhecimento que possa ser útil para o trabalho
do ator-bailarino. Ela não procura descobrir leis, mas estudar regras
de comportamento (BARBA,1995, p.8).
O trabalho feito por Barba, teve nos primeiros anos uma preocupação em
formar atores, em criar regras de trabalho, auxiliar o ator na busca de
uma técnica, pois para ele o ator ocidental era desprovido de tal,
ficava com seu talento ao léu, não tinha onde amparar-se para
desenvolver-se. Barba buscou na cultura oriental as matrizes para seu
trabalho junto aos atores do Odin, o que também só poderia acontecer
dentro de um marco de grupo estável.
O Odin em mais de 30 anos de carreira realizou pouquíssimos
espetáculos, mas organizou uma escola que leva seus princípios mundo
afora. Suas experiências na periferia, não foram longas e
aprofundadas o que ocasionou apropriação equivocada de seu trabalho.
Hoje há uma vasta gama de grupos que se referenciam na antropologia
teatral e a tomam como uma verdade única, isso constitui o que
poderíamos dizer um conceito de "seita", o que no princípio era
teatro transformou-se em religião. O que por muitas vezes se faz tomar
o treinamento com algo sisudo, fechado em sala, onde tudo se transforma
em sagrado sem se saber o por quê. Existe uma lacuna na compreensão
do contexto em que o Odin se formou, contexto este marcado muita mais
pela experiência intercultural que pela produção de estética e ou
poética.
A primeira vista, a idéia de teatro de grupo poderia ser em tempos
atuais uma boa forma do artista fazer um eficaz "nadar
contra-corrente", fazendo essa oposição estaria resistindo a
absorção feroz do capitalismo sob seu trabalho artístico. Porém
essa idéia ganha a passos largos, uma força de bandeiras, que acaba
banalizando o sentido primeiro pensado por Grotowski.
Para evitarmos a banalização uma das questões que merece ser pensada
é a formação do teatrista no marco grupal. O treinamento físico que
faz uso de vários outros sistemas, tem como objetivo principal segundo
Grotowski e Barba, tornar o corpo do ator um corpo dilatado, sensível,
aberto para percepção, para o recebimento do mundo e não para
desenvolvimento de habilidades físicas, nem para criação de atores
virtuosos.
Para o ator em seu desenvolvimento como um todo é necessário não só
um treinamento físico. É necessária, uma formação contundente,
não basta fazer mil coisas com o corpo, passar horas trancados em
salas com treinamentos ostensivos e, por exemplo, não treinar-se em
ler dramaturgia, (que parece tão óbvio), em não se manter
relacionado com os elos da história, a ausência de uma formação, de
um treinamento intelectual faz do artista um ser que sequer compreende
sua atividade, suas posturas em relação a si, a sua criação e a
sociedade. A falta deste treinamento inteiro, faz com que sejam
duvidosos, esses agrupamentos relâmpagos que da noite para o dia
qualquer dois que se juntam já possuem uma pesquisa, método e falam
isso sempre em nome de referências, às vezes sem sequer tê-los
amplamente lido e entendido. Isso denota a falta da sua identidade e a
permissão imediata de colonização e instalação de mitos.
Percebo que quando não há entendimento claro dos conceitos com que se
quer trabalhar, as pessoas acabam sendo levadas como por uma onda, ao
invés de apropriarem-se profundamente das referências pra
compreende-las, absorve-las e fazer a crítica devida, e assim fazem
apenas o exercício da repetição, e o trabalho se torna vazio.
Creio que essa debilidade de formação ocasiona o levantar de bandeiras
em nome do teatro de grupo, em nome de teatristas que se dedicaram ao
aprofundamento e vivência reais desta tarefa, mas que são passíveis
do questionamento.Assim o teatro de grupo ganha jargões e clichês e
se transforma e corre o risco de ser totalmente absorvido pelo
capitalismo, assim logo teremos as camisetas, e os broches do teatro de
grupo.
Mas a questão ainda está, em como a falta de esclarecimento e
desenvolvimento e principalmente de formação, pode retirar de um
grupo o que ele tem de mais genuíno, sua identidade. Esquecendo que o
novo de hoje, precisa se dinamizar a cada dia, do contrário
constituirá o estereotipo de amanhã. Um contexto grupal claro e
contundente, necessita de primeira mão trabalhar dentro de um
pensamento includente, dentro de uma lógica dialética, e dentro de um
marco teórico que permita o indivíduo à compreensão do seu tempo, do
contrário corre o risco de rodear-se dos seus iguais, afastando as
diferenças o que faz cair por terra todo e qualquer discurso de "salve
as diferenças", até mesmo porque a história revela ao longo dos seus
acontecimentos, que este discurso serve enquanto discurso ideológico,
porque na prática cotidiana revela-se que o que serve é a hegemonia
de pensamento, pois isso sempre gera poder de um sobre muitos.
O teatro atual que quer se dar no contexto de teatro de grupo,
poder-se-ia dizer a priori, que precisa fundamentalmente, refletir
sobre sua identidade, criar um real espaço de concentração das
diferenças, não perder seu compromisso com o feito teatral, realizar
investigação teatral e definir um marco teórico que respalde sua
investigação, aprofundar seu conhecimento sobre grupalidade para que
este não se confunda com conceito de seita.
É muito possível que o espaço que se abre dentro de um grupo para
desenvolver suas dinâmicas e sua investigação, acabe se
transformando num espaço fechado pela perda de liberdade e identidade,
ocasionando a produção de materiais espetaculares extremamente
herméticos e a formação de servidores e não de artistas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBA, E. A canoa de papel: tratado de antropologia teatral. São Paulo:
Hucitec, 1994.
BROOK, P. O ponto de mudança: quarenta anos de experiências teatrais.
2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995.
GROTOWSKI, J. Em busca de um teatro pobre. 4.ed. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1992.
GUINSBURG, J. Stanislavski e o teatro de arte de Moscou. Coleção
Debates, São Paulo: Perspectiva, 1985.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. 3.ed. Rio de
Janeiro: DP&A, 1999.
STANISLAVSKI, C. A preparação do ator. 14.ed. Rio de
Janeiro:Civilização Brasileira, 1998


VALÉRIA MARIA DE OLIVEIRA
Mestranda em Teatro / Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC;
Professora da Universidade do Vale do Itajaí/UNIVALI;
Fonte: Professora Marina Miranda - CEFAR / Palacio das Artes
Gestor da Informação: Sônia Souza - Educadora de Teatro
Palavras-chave: Teatro - Teatro de grupo
Data: 18/02/2009
 


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INÍCIO DAS AULAS DO PRÉ-VESTIBULAR E SUPLETIVO DOM BOSCO

Teve início no dia 09/02/09, segunda-feira, as aulas do Supletivo e Pré-Vestibular Dom Bosco. Tanto os educandos quanto os educadores voluntários encontram-se motivados e perseverantes com os trabalhos que estão sendo desenvolvidos na sala de aula.
O Centro Juvenil Salesiano deseja Sucesso e um Feliz 2009!
 
Gestor da Informação: Rafael Adriano - Coordenador Supletivo e Pré-Vestibular Dom Bosco.
Palavras Chave: Aulas; Pré-Vestibular; Supletivo; Educandos.
 


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ABERTAS INSCRIÇÕES PARA O FÓRUM INTERNACIONAL DE JOVENS EMPREENDEDORES

As inscrições para o 1º Fórum Internacional de Jovens Empreendedores (Fije), que acontecerá nos dias 25, 26 e 27 de março, no Expominas (avenida Amazonas, 6020, Gameleira, Belo Horizonte) podem ser feitas gratuitamente  até 28 de fevereiro pelo site www.fije.com.br/site/inscricao.html. O Fije tem por finalidade discutir o tema empreendedorismo na indústria, no comércio, no agronegócio, no esporte, na educação e difundir a sua cultura como importante ferramenta de desenvolvimento econômico e social.

Nos cálculos dos organizadores do evento, 10 mil pessoas deverão participar dos debates e mesas redondas sobre empreendedorismo nos setores público, industrial, tecnológico, cultural, social, em negócios internacionais, associativismo jovem e sucessão familiar, durante três dias.

Já estão confirmadas as presenças do vice-governador Antonio Anastasia, que apresentará o painel Empreendedorismo no Setor Público, do rapper Gabriel o Pensador (A importância da Cultura na Formação do Jovem enquanto Indivíduo, Cidadão e Empreendedor/Cases de Empreededorismo no Setor Cultural), de Guilherme Enrich, sócio-diretor da Fir Capital (Empreendedorismo em Negócios Internacionais), de Laércio Consentino, presidente da Totvs (Empreendedorismo Tecnológico - Mercados Não-Explorados) e de Clodorvino Belini, presidente da Fiat na América Latina (Empreendedorismo da Fiat no Brasil).

Paralelamente às mesas redondas, serão oferecidas as oficinas: Como Captar investimento (Fundos de Investimento de Risco, Abertura de Capital), Como Montar seu Plano de Negócios, Como Montar uma Equipe Coesa, Primeiros Passos do Empreendedor e Princípios da Liderança.

O Fórum é uma iniciativa do Governo do Estado de Minas Gerais, da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e do Fórum Mineiro de Jovens Lideranças, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Fonte: www.esportes.mg.gov.br

Palavras-chaves: Fórum, Internacional, Jovens Empreendedores

Gestor da Informação: Julio César dos Santos – Articulador Social



terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

BIBLIOTECA : ARTIGOS DISPONÍVEIS - JORNAL OPINIÃO

Já estão disponíveis os seguintes artigos para consulta na Biblioteca do CJSBH.

Jornal Opinião n. 1027


Assunto: Espiritualidade
Título : Paradigma da espiritualidade Cristã -
Autor: SANTOS, Apolônio dos -
nº: 1027
Pág. 03
Caderno: Espiritualidade - jornal opinião
Ano: 2009

Assunto: Pastoral carcerária
Título: O papel da Pastoral carcerária em busca da segurança pública
Autor: LUCCA, Raphael
n. 1027
pág: 4 e 5
Caderno: Entrevista - Jornal opinião
Ano: 2009


Assunto: Catequese
Título: Qual o conteúdo da mensagem catequética
Autor: BROSHUIS, Inês
n. 1027
Pág: 6
Caderno: Catequese - Jornal Opinião
Ano: 2009

Assunto: Evangelho de Marcos
Título: O evangelho de Marcos: movido pela compaixão
Autor: VITÓRIO, Jaldemir
n. 1027
pág: 10
Caderno: Bíblia
Ano: 2009

Assunto: Campanha da fraternidade 2009
Título: Seguro morreu de velho
Autor: MACHADO, Eduardo
n. 1028
pág. 3
Caderno: Debate - Jornal Opinião
Ano: 2009


Assunto: Educação
Título: O Brasil não terá futuro se não for através do conhecimento
Autor: LUCCA, Raphael
n. 1028
pág: 4 e 5
Caderno: entrevista - Jornal opinião - Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque
Ano: 2009


Assunto: Bíblia
Título: Bíblia: fonte primeira de catequese
Autor: SOUZA, Neuza Silveira de
n. 1028
página: 6
Caderno: Catequese - Jornal Opinião
Ano: 2009

Assunto: Pastoral rural
título: Onde há povo , há razão de ser pastor
Autor: LUCCA, Raphael
n. 1028
página: 8
Caderno: Atualidade - Jornal opinião
Ano: 2009

Assunto: Evangelho de Marcos
Título: O evangelho de Marcos: uma coisa inaudita
Autor: VITÓRIO, Jaldemir
n.1028
pág: 10
caderno: Bíblia - jornal opinião
Ano: 2009

A lista completa de artigos disponíveis para consulta com índice de assuntos está disponível aqui:
Clique aqui para acessá-la.

Fonte: Biblioteca do CJSBH
Inserção de informações : Adriano Goulart (Biblitoecário)
Palavras-chave: Jornal Opinião - jornal o lutador - artigos indexados

CURSO DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA É A NOVIDADE DA INFORMÁTICA NO CJS EM 2009

INFORMÁTICA 2009



O curso de Informática do Centro Juvenil Salesiano resolveu inovar em seu conteúdo. No ano de 2009, os novos educandos terão uma novidade em seu aprendizado. Trata-se das aulas de Manutenção Preventiva, ou seja, um curso que dará aos educandos noções práticas de resolução de problemas antes solucionados apenas por alguém da área técnica. No curso eles aprenderão a formatar o micro, a instalar o Sistema Operacional, além de instalar todos os programas utilizados em sala pelo educador. Um grande passo para um maior desenvolvimento por parte dos educandos, que por aqui passarem, uma vez que a maioria dos cursos básicos de informática não oferece esse conteúdo específico.



Mais informações no www.centrojuvenilsalesiano.com.br



Boa sorte a todos os novos educandos do curso de Informática do Centro Juvenil Salesiano.



Fonte: Informática Centro Juvenil Salesiano
Inserção da Informação: Alexsander Lelis
Palavras-chave: Informática, Novidade, cursos