quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL:SONHO OU REALIDADE?
RESUMO:
Nesta exposição, procuro apontar alguns desafios e polaridades que
permeiam o discurso e a ação de todos aqueles que estão envolvidos com a
problemática da educação inclusiva no Brasil. Não tenho a pretensão de
validar teoricamente as constatações e inferências construídas a partir
da vivência de pessoa cega e do engajamento político em diversos setores
do poder público e da sociedade.
Os fenômenos e situações focalizados são indicadores da polaridade
entre educação inclusiva e educação especial. Nesta perspectiva,
procuro destacar os principais problemas, dificuldades e impasses presentes
no quotidiano do trabalho com pais, educadores, especialistas, gestores de
políticas públicas e outros atores sociais. Ao traçar este panorama,
apresento um breve relato de experiência com o objetivo de estimular a
reflexão acerca dos meandros e sutilezas do universo humano diante do
complexo movimento de sujeição ou de transformação da realidade.
* * * *
O discurso acerca da inclusão de pessoas com deficiência na escola, no
trabalho e nos espaços sociais em geral, tem-se propagado rapidamente
entre educadores, familiares, líderes e dirigentes políticos, nas
entidades, nos meios de comunicação etc. Isto não quer dizer que a
inserção de todos nos diversos setores da sociedade seja prática
corrente ou uma realidade já dada. As políticas públicas de atenção a
este segmento, geralmente, estão circunscritas ao tripé educação,
saúde e assistência social, sendo que os demais aspectos costumam ser
negligenciados.
A educação destas pessoas tem sido objeto de inquietações e constitui
um sistema paralelo de instituições e serviços especializados no qual a
inclusão escolar desponta como um ideal utópico e inviável. A saúde
limita-se à medicalização e patologização da deficiência ou à
reabilitação compreendida basicamente como concessão de órteses e
próteses. A assistência social traduz-se na distribuição de benefícios
e de parcos recursos, em um contexto de miséria e de privações, no qual
impera a concorrência do assistencialismo e da filantropia. Em cada um
destes setores, o foco do atendimento privilegia uma certa dimensão do
contexto de vida familiar, comunitário e social.
Para a educação, o sujeito com deficiência é um "aluno especial", cujas
necessidades específicas demandam recursos, equipamentos e níveis de
especialização definidos de acordo com a condição física, sensorial ou
mental. No âmbito da saúde, o mesmo aluno é tratado como "paciente",
sujeito a intervenções tardias e de cunho curativo, enquanto no campo da
assistência social ele é um "beneficiário" desprovido de recursos
essenciais à sua sobrevivência e sujeito a formas de concessão de
benefícios temporários ou permanentes de caráter restritivo. O que se
observa, nestes setores, são ações isoladas e simbólicas ao lado de um
conjunto de leis, projetos e iniciativas insipientes e desarticuladas entre
as diversas instâncias do poder público. Em todos os casos, percebemos
uma concepção de sujeito fragmentado, incompleto sem a necessária
incorporação das múltiplas dimensões da vida humana.
Existe uma teia de contradições e um fosso entre o discurso e a ação,
pois o mundo continua representado pelo "nós, os ditos normais" e "eles",
as pessoas com deficiência. Tais observações podem parecer pouco
otimistas e talvez o sejam por representarem a perspectiva de quem tem a
experiência da exclusão atravessada nas cenas do quotidiano e nos
descaminhos da própria existência.
Dificilmente, conseguimos abordar esta realidade sem exaltações ou
animosidades, pois o tema tem suscitado debates calorosos que trazem em seu
teor concepções divergentes e acentuam o antagonismo entre educação
especial e inclusiva. Via de regra, deparamos com argumentos que se
justificam pela análise do óbvio, isto é, pela explicitação das
dificuldades e limitações vivenciadas no contexto do sistema escolar e no
ambiente da sala de aula.
Os professores do ensino regular ressaltam, entre outros fatores, a dura
realidade das condições de trabalho e os limites da formação
profissional, o número elevado de alunos por turma, a rede física
inadequada, o despreparo para ensinar "alunos especiais" ou diferentes. Os
professores da educação especial também não se sentem preparados para
trabalhar com a diversidade do alunado, com a complexidade e amplitude dos
processos de ensino e aprendizagem. A formação destes profissionais
caracteriza-se pela qualificação ou habilitação específicas, obtidas
por meio de cursos de pedagogia ou de outras alternativas de formação
agenciadas por instituições especializadas. Nestes cursos, estágios ou
capacitação profissional, esses especialistas aprenderam a lidar com
métodos, técnicas, diagnósticos e outras questões centradas na
especificidade de uma determinada deficiência, o que delimita suas
possibilidades de atuação.
Além disso, constatamos o receio, a insegurança e a resistência dos pais
que preferem manter os filhos em instituições especializadas temerosos de
que sejam discriminados e estigmatizados no ensino regular. Muitos deles
desistiram por terem ouvido tantas vezes que não havia vaga para o seu
filho naquela escola ou que o melhor para ele é uma escola especial.
Outros insistem por convicção ou simplesmente por se tratar da única
opção no local de moradia da família, pois existem os que estão fora da
escola pelas razões aqui apontadas.
Os representantes de instituições e serviços especializados reagem ao
risco iminente de esvaziamento ou desmantelamento destas estruturas.
Trata-se de um campo de tensões no qual se manifestam o espírito de corpo
e a con(fusão) entre as estruturas e os sujeitos nelas inseridos, o que
dificulta a reflexão e o aprofundamento do debate.
Esta realidade caótica evidencia um confronto de tendências opostas entre
os adeptos da educação inclusiva e os defensores da educação especial.
Por outro lado, constatamos uma inegável mudança de postura, de
concepções e atitudes por parte de educadores, pesquisadores, de agentes
sociais, formadores de opinião e do público em geral. Estas mudanças se
traduzem na incorporação das diferenças como atributos naturais da
humanidade, no reconhecimento e na afirmação de direitos, na abertura
para inovações no campo teórico-prático e na assimilação de valores,
princípios e metas a serem alcançadas. Trata-se, portanto, de propor
ações e medidas que visem assegurar os direitos conquistados, a melhoria
da qualidade da educação, o investimento em uma ampla formação dos
educadores, a remoção de barreiras físicas e atitudinais, a previsão e
provisão de recursos materiais e humanos entre outras possibilidades.
Nesta perspectiva se potencializa um movimento de transformação da
realidade para se conseguir reverter o percurso de exclusão de crianças,
jovens e adultos com ou sem deficiência no sistema educacional.
Fonte: Elizabet Dias de Sá – Pós –graduada em Psicologia
Educacional,trabalha na Secretaria Municipal de Diretos da Cidadania e
exerce a presidência do Conselho Municipal da Pessoa Portadora de
Deficiência de Belo Horizonte-MG
Gestor da Informação: Rosilene Aparecida de Brito – Coordenação da
Ação educativa pastoral
Palavra chave: educação-inclusão-realidade
Data: 18/02/2009
LANÇAMENTO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE EM BH - 26 FEV - 16H - ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA
A Campanha da Fraternidade de 2009 apresenta-nos como o tema Fraternidade e Segurança Pública e como lema: A paz é fruto da justiça (Is 32,17).
A CNBB pretende com esta Campanha, debater a segurança pública, com a finalidade de colaborar na criação de condições para que o Evangelho seja mais bem vivido em nossa sociedade por meio da promoção de uma cultura da paz, fundamentada na justiça social.
LANÇAMENTO EM BELO HORIZONTE -
A Arquidiocese de Belo Horizonte, por intermédio do Vicariato Episcopal para Ação Social e Política, lança a Campanha da Fraternidade em Belo Horizonte na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, no dia 26 de fevereiro de 2009, às 16 horas, no Plenário Juscelino Kubitschek.
Todos estão convidados a participar deste grande momento! Veja o BLOG produzido especialmente para a Campanha da Fraternidade em Belo Horizonte.
Outras informações através do vicariato para Ação Social e Política da Arquidiocese de BH com Walkíria - 3428-8046 ou na Assessoria de Comunicação da Arquidiocese - 3269-3138.
Fonte: www.arquidiocese-bh.org.br
Gestor da Informação: Julio César dos Santos – Articulador Social
Palavras-chaves: Campanha, Fraternidade, Belo Horizonte
Data: 18/02/2009
QUINTA CULTURAL
O Centro Juvenil Salesiano realiza todas as quintas feiras atividades
educativas,artísticas e pastorais.
Os educandos participam de atividades na quadra,jogos no salão,aula
criativa e palestras.
Fonte: Proposta sócio educativa do Centro Juvenil Salesiano
Inserção de informação: Rosilene de Brito - CAEPS
Palavras chave: atividades,quinta cultural,educandos
Data: 18/02/2009
MÚSICA DE REFLEXÃO DO BOA TARDE DE HOJE!
Música: Brincar de viver Compositor: Gulherme Arantes Quem me chamou Quem vai querer voltar pro ninho Redescobrir, seu lugar Pra retornar E enfrentar o dia-a-dia Reaprender, a sonhar Você verá que é mesmo assim Que a historia não tem fim Continua sempre que você Responde sim A sua imaginação A arte de sorrir Cada vez que o mundo diz não Você verá Que a emoção começa agora Agora é brincar de viver Não esquecer Ninguém é o centro do universo Assim é maior o prazer Você verá que é mesmo assim Que a história não tem fim Continua sempre que você Responde sim A sua imaginação A arte de sorrir Cada vez que o mundo diz não E eu desejo amar A todos que eu cruzar Pelo meu caminho Como sou feliz Eu quero ver feliz Quem andar comigo Vem... Agora é brincar de viver Agora é brincar de viver Fonte: CD Minha História de Maria Bethânia Getor da informação: Angelo Coimbra - Secretário Palavras chave: Guilherme Arantes - Música - Brincar de viver |
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SORRIR
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TEATRO DE GRUPO: IDENTIDADE E CONFORMAÇÃO
Dentro do contexto pós-moderno no qual a sociedade contemporânea está inserida, percebemos que este sustenta a versão simplista de dizeres coloquiais como: tudo é arte, tudo é relativo, e assim se apresenta na tentativa de justificar a ausência de uma nova criação artística, algo original, que ainda não seja conhecido. Nossa sociedade está calcada na novidade e sua rápida reciclagem, "é muito mais importante comprar, ter, do que usar". O capitalismo se apropria de tudo numa velocidade estonteante, inclusive da arte, e faz com que tudo se transforme em mercadoria antes mesmo antes de estar pronto. Nesse contexto é importante abrir reflexões sobre o papel do artista, uma vez que este poderia ocupar o lugar de um sujeito que exercita e desenvolve ao máximo seu senso crítico e talvez um dos exercícios seja justamente "estar na busca do novo", buscá-lo faz parte da não instalação na hegemonia. Fazer a crítica é também uma forma e, que por sua vez, torna-se uma possibilidade de resistir ao capitalismo. Esses são exercícios difíceis, pertencentes a uma árdua tarefa que cabe aos artistas e intelectuais, ou ainda melhor a todo cidadão responsável. Afinal não se pode pensar que o estado caótico no qual a sociedade está imersa, construiu-se e organizou-se do acaso. As transformações históricas, a perda ao longo prazo dos paradigmas norteadores da vida social, os avanços tecnológicos, o avanço científico por ora importante para todos, mas que por ora é aterrorizador, as crenças distintas de religião que vão movendo a fé do cidadão, tornando a instituição igreja um mercado competitivo, as constantes novas teorias dentro dos estudos da antropologia que tenta dar conta do homem, fazem dos séculos XX e XXI, períodos que se dão dentro um marco de movimento caótico, possível de substituir pelo termo trânsito de difícil compreensão, uma vez perdida as noções de valores, de princípios, de ética e até mesmo de estética que a pouco guiava-nos. Mas, como dar conta em manter-se em exercício mediante o total declínio dos paradigmas e das identidades, que como grandes pilares sustentaram e mantiveram a sociedade? Como pensar em revolução, se hoje nos caracterizamos como indivíduos fragmentados, rompidos com os elos da história? Qual a identidade do artista ? O sociólogo Stuart Hall afirma que: A identidade preenche o espaço entre o "interior" e o "exterior"- entre o mundo pessoal e o mundo público de que projetamos a "nós próprios" nessas identidades culturais, ao mesmo tempo que internalizamos seus significados e valores, tornado-os "parte de nós", contribui para alinhar nossos sentimentos subjetivos com os lugares objetivos que ocupamos no mundo social e cultural. A identidade então costura (ou, para uma metáfora médica, "sutura") o sujeito à estrutura. Estabiliza tanto os sujeitos quanto os mundos culturais que eles habitam, tornando ambos reciprocamente mais unificados e predizíveis (HALL 1992, p 11 - 12). Nesse breve pensar sobre o indivíduo, não posso fugir em pensar um pouco sobre o ator de nosso tempo, que afinal, o fato de ser ator não o faz um extraterrestre, passível de não ser afetado pelo processo histórico.Quem é esse indivíduo que faz parte desse cotidiano pós-moderno? Como se agrupa com outras pessoas para o fazer teatral e como se coloca frente a um sistema capitalista que absorve a produção teatral ferozmente? Quais referenciais tem sustentado, o ator em seu trabalho hoje? Dentro destes questionamentos, que não tenho aqui a pretensão de dar respostas, uma questão que há tempos me interessa observar, particularmente, são as diferentes maneiras que nós teatristas encontramos de fazer teatro. Não me refiro a diferenças de estética, poética e ou de linguagem que um espetáculo possa ter do outro, e sim as diferentes maneiras que as pessoas que fazem teatro encontram para agrupar-se e gerar suas condições de trabalho e de vida. Há muitos exemplos de agrupar-se para fazer teatro, mas vou limitar-me a refletir agora sobre o conceito de companhia ou grupo estável; que está no marco de um conceito que pressupõem um trabalho em longo prazo, voltado para formação atorial, fora do eixo e dos princípios do teatro comercial, e que pressupõem um trabalho de investigação do fazer teatral. Nesta maneira de agrupar-se, pode-se encontrar diferenças entre os grupos ou companhias e são essas diferenças que definem o perfil particular de cada grupo. O fato de algumas pessoas se unirem para gerar teatro desta maneira e, que essa grupalidade se mantenha além da montagem do espetáculo, motiva e impulsiona os integrantes a pensar em outras questões relacionadas à produção e ao fato de sobreviver como grupo que tenta desenvolver um trabalho que não é somente a criação do espetáculo, é também o trabalhar para a formação do homem, buscando reconhecer suas debilidades como um meio de avançar em sua existência e na sua produção artística. Assim, cria-se um espaço onde não haverá só a preocupação de incorporar uma série de elementos técnicos relacionados ao oficio do ator e nem só para criar espetáculos. Cria-se um espaço onde a formação do ator em variados níveis e pressupõem um lugar de ampla liberdade formativa. Isto entre outros elementos é o que diferencia a idéia de estabelecer-se dentro do conceito de "teatro de grupo", falo de um conceito, porque podemos ver que sempre para a realização teatral necessita-se de um grupo de pessoas. Teatro de grupo pressupõem estabilidade de elenco, conformação de um esquema de treinamento atorial, criação de material espetacular e principalmente, busca fazer um teatro que confronta suas dificuldades e hegemonias. Assim, este teatro se dá na margem periférica, não por imposição e sim por opção, criando um espaço outro de reflexão, mas sem perder de vista seu espaço criativo e a construção do material espetacular, o desenvolvimento de ética e estética. A idéia e até mesmo o conceito de teatro de grupo com objetivo de elenco estável não é um conceito novo originado no século XX, porém aqui trataremos de ver como esse conceito foi apropriado por alguns teatristas importantes do século XX, que norteiam através de seus experimentos e registros o trabalho de muitos atores e grupos na atualidade. Stanislavski, diretor e ator russo que durante 40 anos esteve a frente do Teatro de Arte de Moscou, entendeu que, para realizar a idéia de teatro de grupo era necessário um programa centralizado e sistemático (o que já podemos chamar de treinamento) que sendo desenvolvido, permitiria ter conclusões sobre as dúvidas colocadas a prova chegando cada vez mais a uma síntese ajustada da atuação. A idéia junto a Dantchenko, era criar novas leis para o teatro russo, um teatro que estava marcado pelo contexto da Revolução Russa. Nos anos 60, a cultura de teatro de grupo vai ter fortes raízes no teatro do diretor polonês Jerzy Grotowski.Estamos aqui falando novamente de um outro contexto entre os anos 60 e 70 do séc. XX, onde as rupturas sociais, culturais, educacionais são fortes e encaminharam todo um processo de perdas de referenciais, e onde também muitos países viviam a ditadura militar. Grotowski, definiu seu trabalho pela cultura de grupo e para este definiu uma estrutura de treinamento para o ator, assim gerando um outro espaço para ator que não é só o dos ensaios, ele dizia que "havia o ensaio para o espetáculo e o ensaio que não era para o espetáculo". Era necessário um espaço de formação no grupo Este pensar sobre um espaço de treinamento para dar conta da formação do ator que já havia sido pontuado por Stanislavski na Rússia, e também pensado e estruturado por Jaques Copeau na França em sua escola, entre outros. O teatrista Grotowski, fez uso de vários sistemas como a dança, a yoga, acrobacia e outros para formular o trabalho junto aos atores, os exercícios consistiam em ser um trabalho personalizado, desenvolvido dentro de um marco grupal, viria a ser como um espelho, onde o ator pudesse ver suas limitações e reconhece-las. O encontro com as próprias limitações é um ponto difícil e complexo, porque para Grotowski sua base não esta relacionada ao ator e sua técnica e sim a pessoa, ao homem e a mulher. Assim as limitações pessoais que aparecem vão mais além de resoluções técnicas, pois trabalhar sobre elas tem haver com fundamentalmente a possibilidade de aceitá-las e de aceitar-se. O que se pode concluir da obra do autor é que a técnica então não tem nenhum valor em si mesma, se não for uma ferramenta à disposição para abrir novos lugares, ainda desconhecidos, em cada um dos atores, se não for assim não cumpre sua função. Desta maneira, o grupo se transforma, necessariamente, em um lugar onde as relações entre os integrantes não são especulativas (o que é dominante na vida cotidiana), pelo contrário, necessitam de rigor, honestidade e o constante olhar de um sobre o outro, que desfaz o auto-engano e auxilia as pessoas em não se ocultarem. Disse o diretor inglês Peter Brook a respeito de Grotowski por ocasião de tê-lo levado a Londres para trabalhar com os atores de sua companhia: Grotowski é único. Por que ? Porque ninguém mais no mundo, que eu saiba, ninguém desde Stanislavski, investigou a essência da interpretação, suas características, seu significado, a natureza e a ciência de seus processos mentais-físicos-emocionais de modo tão profundo e completo como Grotowski. Ele diz que seu teatro é um laboratório. De fato: é um centro de pesquisa. Talvez o único teatro de vanguarda cuja pobreza não é desvantagem, cuja falta de fundos não é a desculpa para soluções inadequadas que automaticamente arruinariam as experiências. No teatro de Grotowski, como em todos os laboratórios de verdade, as experiências são observadas. Em seu teatro a concentração de uma pequena equipe é absoluta, em tempo integral (BROOK, 1995, p.61). O espaço grupal, é um lugar para se retirar máscaras, nesse contexto, um trabalho de grupo desenvolve outro tipo de relação entre os integrantes e com o contexto social onde está inserido, poderíamos dizer então, que como desejou Grotowski "o grupo passa a ser uma terra fértil". Referenciando-se no trabalho de Stanislavski e tendo uma experiência pessoal com Grotowski temos ainda na mesma década o surgimento do trabalho do Italiano Eugênio Barba, que a partir deste contato funda e organiza o Odin Teatret, grupo instalado e subsidiado pelo governo da Dinamarca (importante citar que em grande maioria os centros que desenvolvem pesquisas teatrais no exterior hoje são mantidos pelo governo, e esse é um marco de grande diferença do nosso contexto no Brasil). Mais tarde um pouco Barba juntamente com o Odin, funda a ISTA (International School of Treatre Anthropology). Barba difunde em vários lugares do mundo, sua cultura de grupo e assim, os primeiros anos do Odin estão muito mais ligados a uma preocupação com experiências interculturais, do que com o feito teatral em si. Barba desenvolve com seu grupo a Antropologia Teatral que para ele é: [?] a antropologia teatral não busca princípios universais, mas indicações úteis. Ela não tem a humildade de uma ciência, mas uma ambição em relevar conhecimento que possa ser útil para o trabalho do ator-bailarino. Ela não procura descobrir leis, mas estudar regras de comportamento (BARBA,1995, p.8). O trabalho feito por Barba, teve nos primeiros anos uma preocupação em formar atores, em criar regras de trabalho, auxiliar o ator na busca de uma técnica, pois para ele o ator ocidental era desprovido de tal, ficava com seu talento ao léu, não tinha onde amparar-se para desenvolver-se. Barba buscou na cultura oriental as matrizes para seu trabalho junto aos atores do Odin, o que também só poderia acontecer dentro de um marco de grupo estável. O Odin em mais de 30 anos de carreira realizou pouquíssimos espetáculos, mas organizou uma escola que leva seus princípios mundo afora. Suas experiências na periferia, não foram longas e aprofundadas o que ocasionou apropriação equivocada de seu trabalho. Hoje há uma vasta gama de grupos que se referenciam na antropologia teatral e a tomam como uma verdade única, isso constitui o que poderíamos dizer um conceito de "seita", o que no princípio era teatro transformou-se em religião. O que por muitas vezes se faz tomar o treinamento com algo sisudo, fechado em sala, onde tudo se transforma em sagrado sem se saber o por quê. Existe uma lacuna na compreensão do contexto em que o Odin se formou, contexto este marcado muita mais pela experiência intercultural que pela produção de estética e ou poética. A primeira vista, a idéia de teatro de grupo poderia ser em tempos atuais uma boa forma do artista fazer um eficaz "nadar contra-corrente", fazendo essa oposição estaria resistindo a absorção feroz do capitalismo sob seu trabalho artístico. Porém essa idéia ganha a passos largos, uma força de bandeiras, que acaba banalizando o sentido primeiro pensado por Grotowski. Para evitarmos a banalização uma das questões que merece ser pensada é a formação do teatrista no marco grupal. O treinamento físico que faz uso de vários outros sistemas, tem como objetivo principal segundo Grotowski e Barba, tornar o corpo do ator um corpo dilatado, sensível, aberto para percepção, para o recebimento do mundo e não para desenvolvimento de habilidades físicas, nem para criação de atores virtuosos. Para o ator em seu desenvolvimento como um todo é necessário não só um treinamento físico. É necessária, uma formação contundente, não basta fazer mil coisas com o corpo, passar horas trancados em salas com treinamentos ostensivos e, por exemplo, não treinar-se em ler dramaturgia, (que parece tão óbvio), em não se manter relacionado com os elos da história, a ausência de uma formação, de um treinamento intelectual faz do artista um ser que sequer compreende sua atividade, suas posturas em relação a si, a sua criação e a sociedade. A falta deste treinamento inteiro, faz com que sejam duvidosos, esses agrupamentos relâmpagos que da noite para o dia qualquer dois que se juntam já possuem uma pesquisa, método e falam isso sempre em nome de referências, às vezes sem sequer tê-los amplamente lido e entendido. Isso denota a falta da sua identidade e a permissão imediata de colonização e instalação de mitos. Percebo que quando não há entendimento claro dos conceitos com que se quer trabalhar, as pessoas acabam sendo levadas como por uma onda, ao invés de apropriarem-se profundamente das referências pra compreende-las, absorve-las e fazer a crítica devida, e assim fazem apenas o exercício da repetição, e o trabalho se torna vazio. Creio que essa debilidade de formação ocasiona o levantar de bandeiras em nome do teatro de grupo, em nome de teatristas que se dedicaram ao aprofundamento e vivência reais desta tarefa, mas que são passíveis do questionamento.Assim o teatro de grupo ganha jargões e clichês e se transforma e corre o risco de ser totalmente absorvido pelo capitalismo, assim logo teremos as camisetas, e os broches do teatro de grupo. Mas a questão ainda está, em como a falta de esclarecimento e desenvolvimento e principalmente de formação, pode retirar de um grupo o que ele tem de mais genuíno, sua identidade. Esquecendo que o novo de hoje, precisa se dinamizar a cada dia, do contrário constituirá o estereotipo de amanhã. Um contexto grupal claro e contundente, necessita de primeira mão trabalhar dentro de um pensamento includente, dentro de uma lógica dialética, e dentro de um marco teórico que permita o indivíduo à compreensão do seu tempo, do contrário corre o risco de rodear-se dos seus iguais, afastando as diferenças o que faz cair por terra todo e qualquer discurso de "salve as diferenças", até mesmo porque a história revela ao longo dos seus acontecimentos, que este discurso serve enquanto discurso ideológico, porque na prática cotidiana revela-se que o que serve é a hegemonia de pensamento, pois isso sempre gera poder de um sobre muitos. O teatro atual que quer se dar no contexto de teatro de grupo, poder-se-ia dizer a priori, que precisa fundamentalmente, refletir sobre sua identidade, criar um real espaço de concentração das diferenças, não perder seu compromisso com o feito teatral, realizar investigação teatral e definir um marco teórico que respalde sua investigação, aprofundar seu conhecimento sobre grupalidade para que este não se confunda com conceito de seita. É muito possível que o espaço que se abre dentro de um grupo para desenvolver suas dinâmicas e sua investigação, acabe se transformando num espaço fechado pela perda de liberdade e identidade, ocasionando a produção de materiais espetaculares extremamente herméticos e a formação de servidores e não de artistas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBA, E. A canoa de papel: tratado de antropologia teatral. São Paulo: Hucitec, 1994. BROOK, P. O ponto de mudança: quarenta anos de experiências teatrais. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995. GROTOWSKI, J. Em busca de um teatro pobre. 4.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992. GUINSBURG, J. Stanislavski e o teatro de arte de Moscou. Coleção Debates, São Paulo: Perspectiva, 1985. HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. 3.ed. Rio de Janeiro: DP&A, 1999. STANISLAVSKI, C. A preparação do ator. 14.ed. Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 1998 VALÉRIA MARIA DE OLIVEIRA Mestranda em Teatro / Universidade do Estado de Santa Catarina/UDESC; Professora da Universidade do Vale do Itajaí/UNIVALI; Fonte: Professora Marina Miranda - CEFAR / Palacio das Artes Gestor da Informação: Sônia Souza - Educadora de Teatro Palavras-chave: Teatro - Teatro de grupo Data: 18/02/2009 |
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INÍCIO DAS AULAS DO PRÉ-VESTIBULAR E SUPLETIVO DOM BOSCO
Teve início no dia 09/02/09, segunda-feira, as aulas do Supletivo e Pré-Vestibular Dom Bosco. Tanto os educandos quanto os educadores voluntários encontram-se motivados e perseverantes com os trabalhos que estão sendo desenvolvidos na sala de aula. O Centro Juvenil Salesiano deseja Sucesso e um Feliz 2009! Gestor da Informação: Rafael Adriano - Coordenador Supletivo e Pré-Vestibular Dom Bosco. Palavras Chave: Aulas; Pré-Vestibular; Supletivo; Educandos. |
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ABERTAS INSCRIÇÕES PARA O FÓRUM INTERNACIONAL DE JOVENS EMPREENDEDORES
As inscrições para o 1º Fórum Internacional de Jovens Empreendedores (Fije), que acontecerá nos dias 25, 26 e 27 de março, no Expominas (avenida Amazonas, 6020, Gameleira, Belo Horizonte) podem ser feitas gratuitamente até 28 de fevereiro pelo site www.fije.com.br/site/inscricao.html. O Fije tem por finalidade discutir o tema empreendedorismo na indústria, no comércio, no agronegócio, no esporte, na educação e difundir a sua cultura como importante ferramenta de desenvolvimento econômico e social.
Nos cálculos dos organizadores do evento, 10 mil pessoas deverão participar dos debates e mesas redondas sobre empreendedorismo nos setores público, industrial, tecnológico, cultural, social, em negócios internacionais, associativismo jovem e sucessão familiar, durante três dias.
Já estão confirmadas as presenças do vice-governador Antonio Anastasia, que apresentará o painel Empreendedorismo no Setor Público, do rapper Gabriel o Pensador (A importância da Cultura na Formação do Jovem enquanto Indivíduo, Cidadão e Empreendedor/Cases de Empreededorismo no Setor Cultural), de Guilherme Enrich, sócio-diretor da Fir Capital (Empreendedorismo em Negócios Internacionais), de Laércio Consentino, presidente da Totvs (Empreendedorismo Tecnológico - Mercados Não-Explorados) e de Clodorvino Belini, presidente da Fiat na América Latina (Empreendedorismo da Fiat no Brasil).
Paralelamente às mesas redondas, serão oferecidas as oficinas: Como Captar investimento (Fundos de Investimento de Risco, Abertura de Capital), Como Montar seu Plano de Negócios, Como Montar uma Equipe Coesa, Primeiros Passos do Empreendedor e Princípios da Liderança.
O Fórum é uma iniciativa do Governo do Estado de Minas Gerais, da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e do Fórum Mineiro de Jovens Lideranças, com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Fonte: www.esportes.mg.gov.br
Palavras-chaves: Fórum, Internacional, Jovens Empreendedores
Gestor da Informação: Julio César dos Santos – Articulador Social
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
BIBLIOTECA : ARTIGOS DISPONÍVEIS - JORNAL OPINIÃO
Jornal Opinião n. 1027
Assunto: Espiritualidade
Título : Paradigma da espiritualidade Cristã -
Autor: SANTOS, Apolônio dos -
nº: 1027
Pág. 03
Caderno: Espiritualidade - jornal opinião
Ano: 2009
Assunto: Pastoral carcerária
Título: O papel da Pastoral carcerária em busca da segurança pública
Autor: LUCCA, Raphael
n. 1027
pág: 4 e 5
Caderno: Entrevista - Jornal opinião
Ano: 2009
Assunto: Catequese
Título: Qual o conteúdo da mensagem catequética
Autor: BROSHUIS, Inês
n. 1027
Pág: 6
Caderno: Catequese - Jornal Opinião
Ano: 2009
Assunto: Evangelho de Marcos
Título: O evangelho de Marcos: movido pela compaixão
Autor: VITÓRIO, Jaldemir
n. 1027
pág: 10
Caderno: Bíblia
Ano: 2009
Assunto: Campanha da fraternidade 2009
Título: Seguro morreu de velho
Autor: MACHADO, Eduardo
n. 1028
pág. 3
Caderno: Debate - Jornal Opinião
Ano: 2009
Assunto: Educação
Título: O Brasil não terá futuro se não for através do conhecimento
Autor: LUCCA, Raphael
n. 1028
pág: 4 e 5
Caderno: entrevista - Jornal opinião - Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque
Ano: 2009
Assunto: Bíblia
Título: Bíblia: fonte primeira de catequese
Autor: SOUZA, Neuza Silveira de
n. 1028
página: 6
Caderno: Catequese - Jornal Opinião
Ano: 2009
Assunto: Pastoral rural
título: Onde há povo , há razão de ser pastor
Autor: LUCCA, Raphael
n. 1028
página: 8
Caderno: Atualidade - Jornal opinião
Ano: 2009
Assunto: Evangelho de Marcos
Título: O evangelho de Marcos: uma coisa inaudita
Autor: VITÓRIO, Jaldemir
n.1028
pág: 10
caderno: Bíblia - jornal opinião
Ano: 2009
A lista completa de artigos disponíveis para consulta com índice de assuntos está disponível aqui:
Clique aqui para acessá-la.
Fonte: Biblioteca do CJSBH
Inserção de informações : Adriano Goulart (Biblitoecário)
Palavras-chave: Jornal Opinião - jornal o lutador - artigos indexados
CURSO DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA É A NOVIDADE DA INFORMÁTICA NO CJS EM 2009
INFORMÁTICA 2009 O curso de Informática do Centro Juvenil Salesiano resolveu inovar em seu conteúdo. No ano de 2009, os novos educandos terão uma novidade em seu aprendizado. Trata-se das aulas de Manutenção Preventiva, ou seja, um curso que dará aos educandos noções práticas de resolução de problemas antes solucionados apenas por alguém da área técnica. No curso eles aprenderão a formatar o micro, a instalar o Sistema Operacional, além de instalar todos os programas utilizados em sala pelo educador. Um grande passo para um maior desenvolvimento por parte dos educandos, que por aqui passarem, uma vez que a maioria dos cursos básicos de informática não oferece esse conteúdo específico. Mais informações no www.centrojuvenilsalesiano.com.br Boa sorte a todos os novos educandos do curso de Informática do Centro Juvenil Salesiano. Fonte: Informática Centro Juvenil Salesiano |